Principais doenças e complicações associadas ao diabetes
O crescimento das doenças e complicações associadas ao diabetes acompanha o avanço da própria doença no Brasil e representa um desafio cada vez maior para a saúde pública. Segundo o Vigitel, do Ministério da Saúde, a proporção de adultos que relataram diagnóstico médico de diabetes nas capitais brasileiras e no Distrito Federal aumentou 135% entre 2006 e 2024, passando de 5,5% para 12,9%.
Esse resultado não representa uma contagem exata de todas as pessoas com diabetes no país. O levantamento acompanha adultos residentes nas capitais e considera diagnósticos já conhecidos, sem incluir necessariamente quem convive com a doença sem saber.
Em âmbito nacional, a Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo IBGE em 2019, estimou que aproximadamente 12,3 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais já haviam recebido diagnóstico de diabetes. Como o levantamento também se baseia no diagnóstico informado pelos participantes, o número real de pessoas com a doença pode ser maior.
A Federação Internacional de Diabetes utiliza estimativas epidemiológicas que também consideram casos ainda não diagnosticados. Segundo a entidade, cerca de 16,6 milhões de brasileiros entre 20 e 79 anos viviam com diabetes em 2024, colocando o Brasil entre os dez países com maior número de adultos com a doença. A projeção é de aproximadamente 24 milhões até 2050, caso as tendências atuais se mantenham.
Esse crescimento chama atenção não apenas pela quantidade de pessoas afetadas, mas também pelas consequências que podem surgir quando o diabetes permanece por muito tempo sem diagnóstico, acompanhamento ou tratamento adequado.
A doença não se limita ao aumento da glicose no sangue. Ao longo dos anos, níveis persistentemente elevados podem contribuir para danos nos vasos sanguíneos e nos nervos, afetando órgãos como coração, cérebro, rins e olhos, além da circulação e da sensibilidade nos pés.
Algumas alterações se desenvolvem lentamente e podem permanecer sem sintomas nas fases iniciais. Isso não significa, porém, que toda pessoa com diabetes desenvolverá complicações. O risco varia conforme o tipo e o tempo de doença, os níveis de glicose, a pressão arterial, o colesterol, o tabagismo, o histórico familiar, outras condições de saúde e o acesso ao tratamento.
Conhecer esses riscos não deve provocar medo nem culpa. O objetivo é incentivar o acompanhamento regular, a atenção aos sinais do corpo e a realização dos exames indicados. Muitas complicações podem ser prevenidas, retardadas, tratadas ou identificadas mais cedo quando existe cuidado contínuo e individualizado.
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Quais são e como surgem as doenças e complicações associadas ao diabetes?
As principais complicações do diabetes podem atingir o coração, os vasos sanguíneos, o cérebro, os rins, os olhos, os nervos e os pés. Também podem ocorrer alterações na circulação, maior dificuldade de cicatrização, infecções recorrentes e problemas bucais, urinários, sexuais e emocionais.
Entre as complicações mais conhecidas estão:
- Doença arterial coronariana, infarto e insuficiência cardíaca;
- Acidente vascular cerebral;
- Doença arterial periférica;
- Doença renal diabética;
- Retinopatia e outros problemas nos olhos;
- Neuropatia diabética;
- Feridas, infecções e outras complicações nos pés;
- Hipoglicemia grave;
- Cetoacidose diabética;
- Estado hiperglicêmico hiperosmolar.
Essa relação não significa que todas essas condições surgirão em quem tem diabetes. Também não significa que qualquer doença identificada em uma pessoa com diabetes tenha sido provocada exclusivamente pela glicose elevada.
Em muitos casos, o problema é multifatorial. Isso significa que diferentes elementos podem participar de seu desenvolvimento, como pressão alta, colesterol alterado, tabagismo, excesso de peso, sedentarismo, predisposição genética, doença renal, envelhecimento e tempo de convivência com o diabetes.
De forma geral, as complicações podem ser divididas em três grupos.
As complicações crônicas desenvolvem-se gradualmente e podem afetar diferentes órgãos ao longo dos anos. Nesse grupo estão as doenças cardiovasculares, a doença renal, a retinopatia, a neuropatia e as complicações nos pés.
As complicações agudas surgem mais rapidamente quando a glicose fica muito baixa ou muito alta. Dependendo da intensidade e dos sintomas, podem representar uma emergência e exigir atendimento imediato.
Existem ainda condições que aparecem com maior frequência em pessoas com diabetes, mas que não são necessariamente causadas apenas pela doença. Problemas periodontais, algumas infecções, alterações urinárias, dificuldades sexuais, apneia do sono e sofrimento emocional são exemplos que precisam ser analisados dentro do quadro completo de cada pessoa.
Como essas complicações se desenvolvem?
A glicose é uma fonte essencial de energia. Para que seja aproveitada adequadamente pelas células, o organismo depende da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas. No diabetes, o corpo pode não produzir insulina suficiente ou não conseguir utilizá-la de maneira eficiente.
Como consequência, uma quantidade maior de glicose permanece na corrente sanguínea. Quando essa elevação persiste por longos períodos, pode provocar um desgaste progressivo nos vasos sanguíneos e nos nervos.
Esse processo não costuma causar todo o dano de uma só vez. Ele pode ser comparado a um desgaste contínuo que, ao longo do tempo, compromete estruturas delicadas do organismo. Por isso, não é correto dizer simplesmente que “o açúcar entope as veias”.
Os pequenos vasos sanguíneos ajudam a nutrir, por exemplo, os filtros dos rins e a retina, localizada no fundo dos olhos. Quando esses vasos são prejudicados, aumenta o risco de doença renal diabética e retinopatia.
As artérias maiores também podem sofrer alterações. Danos em suas paredes podem favorecer a formação de placas compostas por gordura, colesterol e outras substâncias. Com o tempo, essas placas podem estreitar a passagem do sangue e aumentar o risco de infarto, AVC e redução da circulação nas pernas e nos pés.
Nos nervos, o dano é chamado de neuropatia. Ele pode provocar formigamento, queimação, dor, choques, dormência ou redução da sensibilidade. Além dos pés e das pernas, podem ser afetados nervos que participam da digestão, do funcionamento da bexiga, do controle da pressão arterial e da função sexual.
Algumas dessas alterações podem começar antes mesmo de o diabetes ser diagnosticado, principalmente no tipo 2. Como essa forma da doença pode permanecer silenciosa durante anos, complicações iniciais já podem estar presentes quando o diagnóstico é confirmado.
Por isso, o acompanhamento não deve se limitar a uma medição isolada da glicose. Pressão arterial, colesterol, função renal, saúde dos olhos, circulação e sensibilidade dos pés também podem precisar de avaliação, conforme o quadro individual.
Complicações cardiovasculares: coração, circulação e cérebro
Os problemas cardiovasculares estão entre as complicações mais importantes relacionadas ao diabetes. Eles podem atingir o coração e os vasos que transportam sangue para o cérebro, as pernas, os pés e outras partes do organismo.
De acordo com o Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos, o NIDDK, adultos com diabetes apresentam probabilidade quase duas vezes maior de ter doença cardíaca ou acidente vascular cerebral do que adultos sem diabetes.
Esse dado não significa que o risco seja igual para todas as pessoas. A probabilidade individual também depende da idade, do histórico familiar, da pressão arterial, do colesterol, do tabagismo, da função renal, da atividade física e de outras condições clínicas.
A glicose persistentemente elevada pode danificar as paredes dos vasos sanguíneos e os nervos que ajudam a controlar o coração e a circulação. Ao mesmo tempo, pressão alta, colesterol alterado, tabagismo, sedentarismo e doença renal podem ampliar o risco.
Isso mostra por que o cuidado com o diabetes não deve se concentrar somente na glicemia. A proteção cardiovascular também envolve o acompanhamento da pressão arterial, das gorduras no sangue e de outros fatores definidos conforme as necessidades de cada pessoa.
Doença arterial, infarto e insuficiência cardíaca
A doença arterial coronariana acontece quando as artérias que levam sangue ao músculo do coração ficam estreitadas pelo acúmulo de placas. Esse processo é conhecido como aterosclerose.
Se uma dessas placas se rompe, pode ocorrer a formação de um coágulo que bloqueia a circulação. Quando parte do músculo cardíaco deixa de receber sangue e oxigênio, ocorre o infarto.
A insuficiência cardíaca é um problema diferente. Ela acontece quando o coração apresenta dificuldade para bombear ou receber sangue de forma suficiente para atender às necessidades do organismo. Isso não significa que o coração tenha parado, mas que sua capacidade de funcionamento está comprometida.
Entre os possíveis sinais de insuficiência cardíaca estão falta de ar, cansaço desproporcional, inchaço nas pernas e nos tornozelos e dificuldade para realizar atividades que antes eram toleradas. Como esses sintomas também podem ter outras causas, precisam ser avaliados.
Já os sinais de um possível infarto podem incluir:
- Dor, pressão, aperto ou desconforto no peito;
- Falta de ar;
- Suor frio;
- Náusea ou mal-estar repentino;
- Tontura;
- Cansaço incomum;
- Dor ou desconforto nos braços, nas costas, no pescoço, na mandíbula ou no estômago.
Nem todas as pessoas apresentam uma dor forte e característica no peito. Algumas podem sentir falta de ar, fraqueza, náusea, indigestão ou cansaço fora do habitual.
Em pessoas com neuropatia, a percepção da dor pode estar reduzida, o que contribui para manifestações menos evidentes. Isso não significa que qualquer mal-estar seja um problema cardíaco, mas sintomas súbitos, intensos ou diferentes do padrão habitual não devem ser ignorados.
Diante de sinais suspeitos de infarto, a orientação é procurar atendimento de emergência. Não é seguro esperar que os sintomas desapareçam nem tentar confirmar o diagnóstico em casa.
A pressão arterial também merece atenção. Quando permanece elevada, aumenta a força exercida pelo sangue sobre as paredes das artérias. A combinação entre hipertensão e diabetes pode elevar o risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca, doença renal e alterações nos olhos.
Para algumas pessoas, acompanhar a pressão em casa pode ajudar a identificar tendências e fornecer informações úteis durante as consultas. Essa prática precisa seguir orientação profissional, pois uma medição isolada não confirma diagnóstico nem autoriza mudanças nos medicamentos.
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Acidente vascular cerebral e doença arterial periférica
O diabetes também pode contribuir para o comprometimento dos vasos que levam sangue ao cérebro. Quando uma artéria cerebral é bloqueada ou se rompe, pode ocorrer um acidente vascular cerebral, conhecido como AVC.
Os sinais costumam aparecer de forma repentina e podem incluir:
- Fraqueza ou dormência de um lado do corpo;
- Assimetria no rosto;
- Dificuldade para falar ou compreender palavras;
- Confusão súbita;
- Perda ou alteração repentina da visão;
- Dificuldade para caminhar, perda de equilíbrio ou coordenação.
Essas manifestações exigem atendimento imediato, mesmo quando desaparecem após alguns minutos. Uma melhora rápida não elimina a possibilidade de um problema grave na circulação cerebral.
A pessoa com confusão, desmaio, fraqueza, alteração da fala ou perda de visão não deve dirigir até o serviço de urgência. O mais seguro é solicitar ajuda e utilizar o atendimento de emergência disponível na região.
Outro problema relacionado à circulação é a doença arterial periférica, caracterizada pelo estreitamento das artérias que levam sangue principalmente às pernas e aos pés.
Com menos sangue chegando aos tecidos, podem surgir dor ou cansaço nas pernas durante a caminhada, pés frios, alterações na cor da pele e feridas que demoram para cicatrizar.
Um exemplo é a dor recorrente na panturrilha que aparece ao caminhar, melhora quando a pessoa para e retorna quando ela volta a andar. Esse sintoma merece avaliação e não deve ser atribuído automaticamente à idade, ao cansaço ou à falta de condicionamento físico.
A circulação reduzida também pode dificultar a recuperação de pequenas lesões. Quando esse problema se combina com a perda de sensibilidade causada pela neuropatia, um machucado pode passar despercebido e se agravar antes de ser identificado.
Pés constantemente frios, mudança de cor, dor recorrente nas pernas e feridas de cicatrização lenta precisam ser avaliados. O exame profissional é necessário para investigar a circulação e diferenciar a doença arterial periférica de problemas musculares, articulares ou neurológicos que podem provocar sintomas semelhantes.
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Problemas nos rins, olhos e nervos
Rins, olhos e nervos estão entre as estruturas que podem ser afetadas pelo diabetes ao longo do tempo. Isso acontece porque eles dependem de pequenos vasos sanguíneos para receber oxigênio e nutrientes e manter seu funcionamento.
Quando a glicose permanece elevada de forma persistente, esses vasos podem sofrer danos progressivos. Pressão alta, colesterol alterado, tabagismo, tempo de diagnóstico e predisposição individual também podem participar desse processo.
Um dos principais desafios é que algumas dessas complicações não provocam sintomas nas fases iniciais. Por isso, esperar o aparecimento de dor, alteração visual ou mudanças na urina pode atrasar a identificação do problema.
Os exames periódicos são importantes justamente porque podem revelar alterações antes que elas sejam percebidas no dia a dia.
Doença renal diabética
Os rins filtram continuamente o sangue, retirando resíduos e excesso de líquidos que serão eliminados pela urina. Eles também participam do equilíbrio de minerais, da produção de hormônios e do controle da pressão arterial.
Essa filtragem ocorre em milhões de estruturas microscópicas. Quando a glicose e a pressão arterial permanecem elevadas, esses pequenos filtros podem sofrer danos progressivos.
A doença renal relacionada ao diabetes geralmente se desenvolve lentamente. Muitas pessoas não apresentam dor nem percebem alterações na quantidade ou na aparência da urina durante as fases iniciais.
A ausência de sintomas não significa que os rins estejam necessariamente funcionando sem alterações. Segundo o NIDDK, a maioria das pessoas com doença renal diabética não apresenta sintomas no começo, e a forma de identificá-la é por meio da avaliação da urina e do sangue.
Os principais exames utilizados no acompanhamento são:
- Creatinina no sangue;
- Estimativa da taxa de filtração glomerular;
- Pesquisa de albumina na urina;
- Relação entre albumina e creatinina urinária;
- Medição da pressão arterial.
A creatinina é uma substância produzida pelo organismo e eliminada principalmente pelos rins. A partir de seu resultado e de outras informações, o laboratório pode estimar a taxa de filtração glomerular, que ajuda a avaliar como os rins estão filtrando o sangue.
Já a albumina é uma proteína normalmente encontrada no sangue. Quando os filtros renais estão danificados, uma parte dessa proteína pode passar para a urina.
Os exames de sangue e urina são complementares. A estimativa da filtração mostra como os rins estão conseguindo limpar o sangue, enquanto a albumina urinária pode indicar danos nos filtros. Por isso, observar apenas a creatinina pode não ser suficiente para identificar todas as alterações iniciais.
Os resultados não devem ser interpretados isoladamente. Desidratação, infecções, atividade física intensa, medicamentos e outras condições podem interferir temporariamente em alguns exames. Dependendo do resultado, o profissional pode solicitar uma nova avaliação antes de confirmar um problema renal.
A relevância dessa complicação também aparece nos dados brasileiros. Segundo a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2025, a doença renal do diabetes corresponde a aproximadamente 32% dos casos de terapia renal substitutiva no país, ficando próxima da hipertensão arterial, com 33%.
Terapia renal substitutiva é o nome dado a tratamentos utilizados quando os rins já não conseguem desempenhar adequadamente suas funções, como diálise ou transplante. Esse dado não significa que toda pessoa com diabetes evoluirá para esse estágio, mas reforça a importância do rastreamento e do cuidado precoce.
A pressão arterial merece atenção porque a hipertensão pode acelerar a perda da função renal. O acompanhamento da glicose, do colesterol e dos medicamentos prescritos também faz parte da proteção dos rins.
Outro cuidado importante é não utilizar anti-inflamatórios ou outros medicamentos por conta própria. Alguns podem reduzir o fluxo de sangue para os rins ou aumentar o risco de lesão, especialmente quando a pessoa está desidratada, já apresenta doença renal ou utiliza determinados tratamentos.
Mudanças importantes na ingestão de água, proteínas ou sal também não devem ser feitas com base em orientações genéricas. Uma pessoa com função renal preservada pode ter necessidades diferentes de outra que já apresenta comprometimento.
Restringir líquidos ou proteínas sem indicação pode causar desidratação, perda de massa muscular e desequilíbrios nutricionais. A alimentação precisa ser adaptada aos exames, aos medicamentos e à condição clínica de cada pessoa.
Retinopatia e outros problemas nos olhos
A retina é uma camada localizada no fundo do olho que capta a luz e transforma as imagens em sinais enviados ao cérebro. Para funcionar adequadamente, ela depende de uma rede de vasos sanguíneos muito pequenos.
O diabetes pode danificar esses vasos e provocar a retinopatia diabética. No início, podem surgir pequenas áreas de vazamento ou alterações na circulação sem que a pessoa perceba mudanças na visão.
De acordo com o National Eye Institute, os estágios iniciais da retinopatia diabética geralmente não apresentam sintomas. A doença pode avançar sem dor e sem prejudicar imediatamente a capacidade de ler, dirigir ou enxergar objetos.
Com a progressão, alguns vasos podem liberar líquido ou sangue dentro do olho. Também podem surgir vasos novos e frágeis, cicatrizes e alterações capazes de comprometer a retina.
Entre os possíveis sinais estão:
- Visão embaçada persistente;
- Manchas ou pontos escuros no campo visual;
- Flashes luminosos;
- Dificuldade crescente para enxergar detalhes;
- Áreas escuras ou falhas na visão;
- Perda súbita ou parcial da capacidade visual.
A perda repentina da visão ou uma alteração visual intensa exige avaliação imediata.
Enxergar bem no cotidiano não elimina a necessidade do acompanhamento preventivo. A pessoa pode manter boa capacidade visual e apresentar alterações iniciais na retina que somente aparecem durante o exame oftalmológico.
Essa avaliação pode envolver a dilatação da pupila para permitir que o profissional examine o fundo do olho. Fotografias da retina e outros exames também podem ser utilizados conforme a necessidade.
Além da retinopatia, pessoas com diabetes apresentam maior risco de catarata e glaucoma. A catarata reduz a transparência do cristalino, uma estrutura interna do olho, enquanto o glaucoma pode causar lesões no nervo óptico.
Oscilações da glicose também podem provocar mudanças temporárias na visão. No entanto, não é seguro atribuir todo embaçamento ao diabetes ou esperar que desapareça sozinho. Catarata, glaucoma, problemas na retina e outras doenças podem produzir sinais parecidos.
O momento e a frequência do exame oftalmológico dependem do tipo de diabetes, do tempo de diagnóstico, da gestação, dos resultados anteriores e da orientação profissional.
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Neuropatia diabética
Neuropatia significa lesão dos nervos. No diabetes, ela pode ocorrer quando níveis elevados de glicose e outras alterações metabólicas prejudicam tanto os nervos quanto os pequenos vasos responsáveis por nutri-los.
A forma mais comum costuma afetar pés e pernas. Os sintomas podem começar nas extremidades e avançar gradualmente.
Entre as manifestações possíveis estão:
- Formigamento;
- Queimação;
- Dor;
- Sensação de choques;
- Dormência;
- Sensibilidade exagerada ao toque;
- Fraqueza;
- Dificuldade para perceber calor ou frio.
A intensidade varia de uma pessoa para outra. Algumas sentem dores fortes, enquanto outras apresentam redução da sensibilidade sem qualquer desconforto evidente.
A ausência de dor não significa ausência de lesão. Quando a sensibilidade diminui, a pessoa pode não perceber uma bolha, uma queimadura, um corte ou a pressão excessiva provocada pelo calçado.
Também existem formas de neuropatia que afetam nervos responsáveis pelo funcionamento dos órgãos internos. Dependendo da região atingida, podem ocorrer alterações digestivas, dificuldade para esvaziar a bexiga, variações na frequência cardíaca, quedas de pressão ao se levantar e dificuldades sexuais.
Nem todo formigamento ou dormência é provocado pelo diabetes. Compressão de nervos, problemas na coluna, deficiência de algumas vitaminas, alterações da tireoide, consumo excessivo de álcool, doenças circulatórias e determinados medicamentos podem causar sintomas semelhantes.
Por isso, o diagnóstico não deve ser feito apenas com base no relato de formigamento. A avaliação pode envolver exame da sensibilidade, dos reflexos, da força muscular e da circulação, além da investigação de outras possíveis causas.
Cremes, vitaminas e suplementos não devem ser usados como tratamento universal para neuropatia. Além de não resolverem necessariamente o problema, podem atrasar uma avaliação adequada ou interagir com medicamentos.
Pé diabético, feridas, infecções e risco de amputação
O termo “pé diabético” não se refere simplesmente a qualquer machucado encontrado no pé de uma pessoa com diabetes. Ele descreve alterações relacionadas principalmente à perda de sensibilidade, à circulação comprometida, à presença de feridas, infecções ou destruição de tecidos.
A neuropatia pode dificultar a percepção de dor, calor e pressão. Já a circulação reduzida pode diminuir a chegada de oxigênio e nutrientes necessários para a recuperação dos tecidos.
Quando esses problemas ocorrem juntos, uma pequena lesão pode passar despercebida, ter dificuldade para cicatrizar e evoluir para uma infecção.
Bolhas, cortes, rachaduras, calos e unhas machucadas podem parecer alterações simples, mas precisam de atenção quando existem perda de sensibilidade ou problemas circulatórios.
A inspeção diária dos pés ajuda a identificar mudanças precocemente. É importante observar:
- A planta;
- Os calcanhares;
- As laterais;
- A região ao redor das unhas;
- Os espaços entre os dedos.
Durante essa verificação, deve-se procurar cortes, bolhas, rachaduras, vermelhidão, inchaço, secreção, mudança de cor, áreas mais quentes e qualquer ferida que não esteja melhorando.
Uma pequena pedra dentro do sapato, por exemplo, pode pressionar repetidamente o mesmo ponto. Uma pessoa com sensibilidade preservada provavelmente sentirá incômodo e retirará o objeto. Quem apresenta neuropatia pode continuar andando e sofrer um ferimento sem perceber.
Por isso, é recomendável verificar o interior do calçado antes de usá-lo. Pedras, objetos, costuras dobradas e áreas irregulares podem provocar atrito ou pressão.
Os sapatos precisam ter tamanho adequado, espaço para os dedos e não devem apertar nem causar bolhas. Também é mais seguro evitar andar descalço em locais onde existam objetos cortantes ou superfícies muito quentes.
A perda de sensibilidade pode impedir que a pessoa perceba a temperatura real do piso, da água ou de bolsas térmicas, aumentando o risco de queimaduras.
Calos não devem ser cortados com lâminas, e produtos corrosivos não devem ser aplicados por conta própria. Essas práticas podem provocar ferimentos e queimaduras químicas.
Pessoas com perda de sensibilidade, má circulação, deformidades, feridas anteriores ou dificuldade para cortar as unhas podem precisar de avaliação especializada dos pés.
Feridas, secreção, mau cheiro, vermelhidão crescente, inchaço, febre, escurecimento da pele ou aumento de temperatura exigem avaliação profissional. Não é seguro esperar vários dias para verificar se o problema melhora sozinho.
Produto recomendado: Calçados para diabéticos
Os calçados para diabéticos podem ajudar a proteger os pés contra atritos, pressão excessiva, bolhas e pequenos ferimentos durante as atividades diárias. Geralmente, esses modelos oferecem espaço interno mais amplo, acabamento com menos costuras e materiais macios, proporcionando mais conforto para pessoas com sensibilidade reduzida, inchaço ou maior risco de lesões nos pés. A escolha deve considerar o tamanho correto, sem apertar os dedos ou deixar o pé solto, e pessoas com deformidades, feridas ou problemas de circulação devem buscar orientação profissional antes da compra.
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Outras condições que aparecem com maior frequência no diabetes
Além das complicações cardiovasculares, renais, oculares e neurológicas, algumas condições são observadas com maior frequência entre pessoas com diabetes.
Isso não significa que todas sejam provocadas exclusivamente pela doença. Idade, medicamentos, excesso de peso, alterações hormonais, higiene, genética e outras condições de saúde também podem participar.
A doença periodontal, que afeta a gengiva e as estruturas que sustentam os dentes, merece atenção. Sangramento ao escovar, mau hálito persistente, gengiva retraída e dentes amolecidos não devem ser considerados normais.
O diabetes pode dificultar a resposta do organismo a algumas infecções, enquanto inflamações importantes na boca também podem dificultar o controle metabólico. Consultas odontológicas e higiene bucal fazem parte do cuidado geral.
Infecções de pele, urinárias ou genitais podem ocorrer com maior frequência, especialmente quando a glicose permanece elevada. Coceira, ardência ao urinar, corrimento, lesões na pele e infecções recorrentes precisam ser investigados.
Repetir medicamentos por conta própria sempre que os sintomas retornam pode mascarar o problema, favorecer efeitos adversos e atrasar o diagnóstico correto.
O diabetes também pode participar de dificuldades sexuais. Alterações nos vasos e nos nervos podem contribuir para disfunção erétil. Nas mulheres, podem ocorrer ressecamento, redução da sensibilidade e desconforto durante a relação.
Essas dificuldades não devem ser motivo de vergonha. Medicamentos, mudanças hormonais, fatores emocionais e outras doenças também podem estar envolvidos e precisam ser considerados.
Quando os nervos ligados à bexiga são afetados, podem surgir dificuldade para perceber que ela está cheia, esvaziamento incompleto, urgência ou perda involuntária de urina.
Perda auditiva também é observada com maior frequência em pessoas com diabetes, embora a relação possa envolver idade, circulação, exposição a ruídos e outros fatores.
A apneia do sono merece investigação especialmente quando existem excesso de peso e outros fatores metabólicos. Ronco intenso, pausas respiratórias percebidas por outra pessoa, sonolência durante o dia e despertar com sensação de sufocamento são sinais que justificam avaliação.
O cuidado diário com o diabetes ainda pode provocar desgaste emocional. A necessidade de organizar medicamentos, alimentação, exames e medições pode contribuir para ansiedade, depressão ou sofrimento relacionado à doença.
Esse cansaço não significa falta de disciplina. A saúde emocional influencia a capacidade de manter o tratamento e deve ser abordada com respeito, sem culpa ou julgamento.
Existe também uma possível associação entre diabetes e maior risco de alterações cognitivas. No entanto, não é correto afirmar que o diabetes necessariamente causará demência. Idade, genética, pressão arterial, saúde cardiovascular, escolaridade e outros fatores também influenciam esse risco.
Infecções recorrentes, sangramento gengival, dificuldade sexual, alterações urinárias ou sofrimento emocional não devem ser tratados como consequências inevitáveis do envelhecimento ou do diabetes. São situações que merecem avaliação porque algumas causas podem ser tratadas ou controladas.
Complicações agudas: quando a glicose muito baixa ou muito alta se torna uma emergência
As complicações crônicas costumam se desenvolver lentamente. Já as complicações agudas podem aparecer em poucas horas ou dias e exigir uma resposta rápida.
Elas estão relacionadas principalmente à queda excessiva da glicose ou à falta importante de insulina acompanhada de hiperglicemia intensa.
O plano de ação deve ser definido com antecedência pela equipe de saúde. A conduta pode variar conforme o tipo de diabetes, os medicamentos utilizados, a idade, a função renal e o estado de consciência.
Hipoglicemia
Hipoglicemia é a queda da glicose abaixo da faixa considerada segura para a pessoa. Ela ocorre principalmente entre quem utiliza insulina ou determinados medicamentos que aumentam sua liberação.
Entre as situações que podem favorecer um episódio estão:
- Aplicar insulina em quantidade maior do que a necessária;
- Atrasar ou pular uma refeição;
- Comer menos do que o planejado;
- Realizar atividade física sem o ajuste necessário;
- Consumir álcool;
- Apresentar vômitos ou dificuldade para se alimentar;
- Ter alteração na função renal.
Os possíveis sinais incluem tremor, suor, fome, palpitação, tontura, fraqueza, irritabilidade, dor de cabeça e dificuldade de concentração.
Quando a glicose continua caindo, podem ocorrer confusão, comportamento incomum, sonolência intensa, convulsão e perda de consciência.
Nem todas as pessoas apresentam os mesmos sinais. Algumas deixam de perceber os sintomas iniciais após episódios repetidos, o que aumenta o risco de uma queda grave.
A forma de correção precisa ser definida previamente com a equipe de saúde. Não é seguro fornecer uma orientação universal sem considerar os medicamentos, a medição da glicose, a capacidade de engolir e o estado de consciência.
Uma pessoa inconsciente, convulsionando ou incapaz de engolir não deve receber água, suco, alimentos ou qualquer substância pela boca, pois pode engasgar ou aspirar o conteúdo para os pulmões.
Nessa situação, é necessário acionar imediatamente o atendimento de emergência e seguir o plano previamente estabelecido, quando houver.
Cetoacidose diabética e estado hiperglicêmico hiperosmolar
A cetoacidose diabética e o estado hiperglicêmico hiperosmolar são emergências associadas à falta importante de insulina e à elevação intensa da glicose.
A cetoacidose é mais frequente no diabetes tipo 1, mas também pode ocorrer em outros tipos de diabetes e em situações específicas.
Quando não existe insulina suficiente, as células não conseguem utilizar adequadamente a glicose. O organismo passa então a usar gordura como fonte de energia e produz substâncias chamadas cetonas.
O acúmulo de cetonas pode tornar o sangue mais ácido e provocar:
- Sede intensa;
- Urina frequente;
- Náuseas;
- Vômitos;
- Dor abdominal;
- Fraqueza;
- Desidratação;
- Respiração profunda ou acelerada;
- Hálito com odor diferente ou frutado;
- Sonolência ou confusão.
O estado hiperglicêmico hiperosmolar é observado mais frequentemente no diabetes tipo 2. Ele costuma envolver glicose muito elevada e desidratação intensa.
Além de sede, urina frequente e fraqueza, podem ocorrer sonolência, confusão, alterações neurológicas, convulsões e perda de consciência.
Infecções, interrupção ou falha no uso da insulina, diagnóstico de diabetes ainda desconhecido, infarto, AVC e outras doenças agudas podem desencadear essas emergências.
Glicose muito elevada acompanhada de vômitos, respiração diferente, desidratação, fraqueza intensa, sonolência ou confusão exige atendimento imediato.
Não se deve esperar que apenas beber água ou aplicar uma dose improvisada de insulina resolva a situação. Mudanças de dose precisam seguir o plano estabelecido pela equipe responsável.
Produto recomendado: Suprimentos e acessórios para diabetes
Os suprimentos e acessórios para diabetes ajudam a manter o acompanhamento diário mais prático, organizado e acessível. Entre os itens mais usados estão glicosímetros, tiras reagentes, lancetas, lancetadores, estojos, recipientes para descarte, bolsas para transporte e organizadores de medicamentos. Esses produtos podem facilitar a realização dos testes, o armazenamento dos materiais e os cuidados fora de casa. Antes da compra, é importante verificar a compatibilidade entre o glicosímetro, as tiras e os demais acessórios, além de observar a validade e as orientações do fabricante.
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Suprimentos para diabetes
O que aumenta o risco e como reduzir a probabilidade de complicações
O risco de complicações não depende apenas de uma medição de glicose. Ele resulta da combinação entre tempo de diabetes, níveis glicêmicos, pressão arterial, colesterol, tabagismo, função renal, histórico familiar, medicamentos, condições sociais e outros aspectos da saúde.
Por isso, o cuidado precisa considerar a pessoa como um todo. Acompanhar somente o açúcar no sangue, ignorando pressão, colesterol, rins, olhos e pés, deixa de fora fatores importantes.
A hemoglobina glicada é um dos exames utilizados para avaliar o comportamento médio da glicose nos meses anteriores. Ela oferece uma informação diferente das medições feitas em momentos específicos do dia.
Ainda assim, a hemoglobina glicada não deve ser analisada isoladamente. Duas pessoas com resultados semelhantes podem apresentar variações de glicose, medicamentos, idade, risco de hipoglicemia e condições clínicas muito diferentes.
As metas de glicose e hemoglobina glicada precisam ser individualizadas. Buscar valores excessivamente baixos pode não ser seguro para todos, principalmente quando existe risco elevado de hipoglicemia, fragilidade, doença renal ou uso de determinados medicamentos.
A pressão arterial e o colesterol também merecem acompanhamento. Quando permanecem elevados, podem aumentar o risco de infarto, AVC, doença renal, problemas circulatórios e alterações nos olhos.
O uso correto dos medicamentos prescritos faz parte da prevenção. Isso inclui respeitar doses e horários, armazenar os produtos adequadamente e informar ao profissional qualquer dificuldade para manter o tratamento.
Efeitos adversos, esquecimento frequente, custo elevado ou dificuldade para compreender a prescrição não devem ser escondidos. A equipe de saúde pode avaliar alternativas e adaptar a rotina, mas os medicamentos não devem ser interrompidos nem modificados por conta própria.
A alimentação também influencia a glicose, a pressão, o colesterol e o peso corporal. Entretanto, não existe um único cardápio adequado para todas as pessoas com diabetes.
O plano alimentar precisa considerar preferências, cultura, renda, rotina, medicamentos, função renal e possibilidade real de manter as escolhas. Restrições radicais podem ser difíceis de sustentar e favorecer culpa, abandono ou desequilíbrios nutricionais.
A atividade física pode contribuir para a saúde cardiovascular, a mobilidade e o aproveitamento da glicose pelo organismo. O tipo, a intensidade e a frequência, porém, devem respeitar as condições clínicas e as limitações individuais.
Pessoas com doença cardiovascular, perda de sensibilidade nos pés, feridas, alterações nos olhos ou episódios frequentes de hipoglicemia podem precisar de avaliação antes de modificar significativamente a rotina de exercícios.
Não fumar é uma das medidas mais importantes para proteger os vasos sanguíneos. O tabagismo, quando combinado ao diabetes, aumenta ainda mais o risco de infarto, AVC e comprometimento da circulação.
Sono adequado, saúde bucal, vacinação recomendada, atenção às infecções, inspeção dos pés, avaliação renal e acompanhamento oftalmológico também fazem parte do cuidado.
Os exames periódicos podem detectar alterações antes dos sintomas. Isso é particularmente importante para problemas renais e oculares, que podem evoluir silenciosamente.
Levar às consultas uma lista de medicamentos, resultados recentes, registros de glicose ou pressão e dúvidas ajuda a aproveitar melhor o atendimento. Sintomas aparentemente desconectados, como formigamento, alterações urinárias ou dificuldade sexual, também devem ser mencionados.
Nem todas as pessoas possuem os mesmos recursos para cuidar da saúde. Custos, distância dos serviços, trabalho, responsabilidades familiares, sofrimento emocional e dificuldade de acesso aos medicamentos podem interferir no tratamento.
Essas barreiras precisam ser reconhecidas sem responsabilizar o paciente. O plano de cuidado deve ser possível dentro de sua realidade.
Em vez de tentar mudar alimentação, exercícios, sono e medicamentos de uma só vez, pode ser mais sustentável estabelecer prioridades com a equipe de saúde e avançar gradualmente. Pequenas mudanças mantidas ao longo do tempo costumam ser mais úteis do que transformações radicais abandonadas após poucos dias.
Erros comuns que podem aumentar os riscos
Alguns erros podem atrasar o diagnóstico das complicações ou prejudicar a continuidade do tratamento. Eles geralmente surgem de informações incompletas, dificuldades práticas ou da falsa impressão de que não existe risco quando a pessoa se sente bem.
Erro 1 — Procurar atendimento apenas quando aparecem sintomas
O erro consiste em esperar dor, alteração visual, inchaço ou outro sinal evidente para realizar consultas e exames.
Isso pode prejudicar porque problemas renais, oculares e cardiovasculares podem começar sem manifestações perceptíveis. Quando os sintomas surgem, a alteração pode já estar mais avançada.
A conduta mais segura é manter o acompanhamento e os exames preventivos recomendados, mesmo quando a pessoa se sente bem. A frequência deve ser definida conforme tipo de diabetes, tempo de diagnóstico, resultados anteriores e condições clínicas.
Erro 2 — Achar que uma glicemia isolada representa todo o controle
Uma única medição mostra a glicose apenas naquele momento. Ela pode variar com alimentação, atividade física, estresse, doença, medicamentos e horário do dia.
Concluir que “o diabetes está controlado” ou “totalmente descontrolado” com base em apenas um resultado pode levar a interpretações equivocadas. Além disso, a glicemia não revela sozinha o estado da pressão, do colesterol, dos rins, dos olhos ou da circulação.
A conduta mais segura é analisar as medições dentro do plano definido pela equipe e relacioná-las à hemoglobina glicada, à pressão arterial, ao colesterol e a outros exames indicados.
Um resultado muito diferente do habitual, principalmente quando acompanhado de sintomas, não deve ser ignorado. Ainda assim, não se deve alterar a medicação por conta própria com base em um único número.
Erro 3 — Interromper ou alterar medicamentos por conta própria
Reduzir, aumentar ou suspender doses sem orientação pode provocar hiperglicemia, hipoglicemia ou piora de outras condições.
Algumas pessoas interrompem o tratamento porque se sentem bem, tiveram um resultado normal ou acreditam que já não precisam do medicamento. Em outros casos, efeitos adversos, custo e dificuldade de organização levam ao abandono.
Um resultado melhor pode ser justamente consequência do tratamento. Ele não prova que o medicamento deixou de ser necessário.
A conduta mais segura é conversar com o profissional responsável. Efeitos adversos, dificuldades financeiras e dúvidas sobre horários ou doses podem justificar ajustes, mas eles precisam ser feitos de forma segura.
Erro 4 — Ignorar pequenos ferimentos nos pés
Uma bolha ou corte pode parecer insignificante. Porém, quando existe perda de sensibilidade, a pessoa pode continuar pressionando a área sem perceber.
A circulação reduzida pode dificultar a cicatrização, e a presença de infecção pode agravar o quadro. Esperar vários dias para observar a evolução aumenta o risco de complicações.
A conduta mais segura é inspecionar os pés diariamente e procurar avaliação diante de ferida, secreção, inchaço, vermelhidão crescente, mau cheiro, aumento de temperatura ou mudança de cor.
Não se deve cortar calos, perfurar bolhas nem aplicar substâncias corrosivas. A ausência de dor não garante que a lesão seja leve.
Erro 5 — Acreditar que somente o açúcar dos alimentos importa
Concentrar toda a atenção no açúcar de mesa pode levar a escolhas inadequadas. Outros carboidratos também influenciam a glicose, e o efeito depende da quantidade consumida, da composição da refeição, dos medicamentos e da resposta individual.
Além disso, o risco de complicações não é determinado apenas pela alimentação. Pressão arterial, colesterol, tabagismo, atividade física, sono, medicamentos e acesso ao acompanhamento também importam.
A conduta mais segura é observar a alimentação como um conjunto, evitando classificar os alimentos apenas como “com açúcar” ou “sem açúcar”. Quantidade, frequência, combinação e qualidade nutricional precisam ser consideradas.
Erro 6 — Substituir o tratamento por chás, suplementos ou receitas caseiras
Chás, plantas medicinais e fitoterápicos podem ter utilidade como recursos complementares em algumas situações. Dependendo da planta, da forma de preparo e da orientação recebida, podem contribuir para aliviar determinados sintomas ou apoiar o bem-estar.
O erro está em considerá-los uma cura para o diabetes ou utilizá-los no lugar da insulina, dos medicamentos e do acompanhamento profissional. Essa substituição pode provocar descontrole da glicose, atrasar cuidados eficazes e aumentar o risco de complicações.
Também é importante lembrar que “natural” não significa automaticamente seguro. Algumas plantas podem alterar a glicose, potencializar o efeito de medicamentos, provocar hipoglicemia ou causar efeitos adversos nos rins, no fígado e em outros órgãos.
A conduta mais segura é utilizar chás e fitoterápicos como complemento, quando houver indicação adequada, informando à equipe de saúde quais plantas, suplementos e receitas são consumidos. A avaliação deve considerar a espécie correta, a quantidade, a frequência de uso, a procedência e as possíveis interações com o tratamento.
Portanto, a fitoterapia pode fazer parte do cuidado, mas não deve ser apresentada como substituta do tratamento individualizado nem como garantia de controle ou cura do diabetes.
Quando procurar atendimento médico com urgência?
Consultas de rotina servem para acompanhar o tratamento, revisar exames e investigar sintomas que não representam perigo imediato. Emergências exigem assistência rápida porque podem envolver risco à vida ou perda de função de um órgão.
É necessário procurar o serviço de urgência disponível na região diante de sinais como:
- Dor, pressão ou aperto no peito;
- Falta de ar intensa ou de início súbito;
- Fraqueza ou dormência repentina de um lado do corpo;
- Assimetria facial;
- Alteração súbita da fala;
- Confusão, desmaio ou convulsão;
- Perda súbita ou parcial da visão;
- Hipoglicemia acompanhada de alteração da consciência;
- Glicose muito elevada com vômitos, respiração diferente, desidratação ou sonolência;
- Ferida no pé com pus, mau cheiro, vermelhidão crescente ou mudança de cor;
- Febre ou sinais de infecção grave;
- Redução importante da urina;
- Inchaço acentuado acompanhado de dificuldade para respirar.
Esses sintomas não confirmam sozinhos um diagnóstico, mas são suficientes para justificar avaliação imediata. Não é seguro aguardar uma consulta marcada nem tentar resolver a situação apenas com orientações encontradas na internet.
Quando houver confusão, desmaio, alteração da visão, fraqueza de um lado do corpo ou dificuldade para falar, a pessoa não deve dirigir. Deve-se solicitar ajuda e acionar o serviço de emergência disponível.
Em caso de perda de consciência por possível hipoglicemia, não se deve oferecer líquidos ou alimentos pela boca. Essa tentativa pode causar engasgo e aspiração para os pulmões.
Uma ferida no pé acompanhada de secreção, mau cheiro, febre, vermelhidão em expansão ou escurecimento da pele também não deve esperar. Esses sinais podem indicar infecção ou comprometimento da circulação.
Da mesma forma, glicose elevada acompanhada de vômitos, desidratação, respiração profunda ou alteração da consciência pode estar relacionada a uma emergência hiperglicêmica.
Na dúvida diante de sintomas intensos ou súbitos, a avaliação presencial é mais segura do que tentar determinar a causa em casa.
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Os sensores de glicose contínua podem facilitar o acompanhamento das variações da glicose ao longo do dia e da noite, reduzindo a necessidade de picadas frequentes nos dedos. Conforme o modelo, o usuário consegue visualizar tendências, observar alterações após refeições, exercícios ou medicamentos e compartilhar os registros com a equipe de saúde. Essa tecnologia pode tornar o monitoramento mais prático e confortável, embora algumas situações ainda exijam a confirmação da leitura com um glicosímetro.
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Conclusão: complicações não são inevitáveis
As principais doenças e complicações associadas ao diabetes podem envolver coração, cérebro, rins, olhos, nervos, circulação e pés. Também podem ocorrer problemas bucais, urinários, sexuais, infecciosos e emocionais.
Hipoglicemia grave, cetoacidose diabética e estado hiperglicêmico hiperosmolar são situações agudas, diferentes das complicações que se desenvolvem lentamente ao longo dos anos.
Ter diabetes não significa que todos esses problemas acontecerão. O risco varia de pessoa para pessoa e pode ser reduzido com tratamento individualizado, exames preventivos, uso correto dos medicamentos e atenção aos sinais do organismo.
O objetivo do cuidado não é buscar uma rotina perfeita nem colocar toda a responsabilidade sobre o paciente. É construir um acompanhamento contínuo, possível e compatível com sua realidade.
Na próxima consulta, vale perguntar quais exames são indicados para avaliar coração, rins, olhos, nervos e pés, além de esclarecer quais sinais exigem atendimento imediato. Identificar alterações precocemente pode ampliar as possibilidades de tratamento e evitar que problemas silenciosos avancem sem acompanhamento.
FAQ – Perguntas frequentes sobre doenças e complicações associadas ao diabetes
1. Toda pessoa com diabetes desenvolve complicações?
Não. Ter diabetes não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá complicações. O risco varia conforme o tipo e o tempo da doença, os níveis de glicose, a pressão arterial, o colesterol, o tabagismo, a genética, outras condições de saúde e o acesso ao acompanhamento.
O tratamento individualizado, os exames preventivos e o cuidado contínuo podem reduzir a probabilidade de muitos problemas, retardar sua evolução ou permitir que sejam identificados mais cedo.
2. Quais órgãos são mais afetados pelo diabetes?
O diabetes pode afetar principalmente o coração, os vasos sanguíneos, o cérebro, os rins, os olhos, os nervos e os pés. Isso acontece porque a glicose persistentemente elevada pode prejudicar vasos de diferentes tamanhos e estruturas nervosas.
Também podem ocorrer problemas bucais, urinários, sexuais, infecciosos, auditivos e emocionais. Entretanto, nem toda condição encontrada em uma pessoa com diabetes foi causada exclusivamente pela doença.
3. As complicações do diabetes podem aparecer mesmo sem sintomas?
Sim. Doença renal, retinopatia e algumas alterações cardiovasculares podem evoluir sem provocar sintomas perceptíveis nas fases iniciais.
Por esse motivo, sentir-se bem não elimina a necessidade de consultas e exames periódicos. A avaliação pode incluir pressão arterial, colesterol, função renal, pesquisa de albumina na urina, exame dos olhos e verificação da sensibilidade e da circulação nos pés.
4. Diabetes pode causar infarto ou AVC?
O diabetes aumenta o risco de doenças cardiovasculares, incluindo infarto e acidente vascular cerebral. Esse risco tende a ser maior quando a doença aparece junto com pressão alta, colesterol alterado, tabagismo, doença renal, sedentarismo ou histórico familiar.
Isso não significa que toda pessoa com diabetes terá infarto ou AVC. O acompanhamento dos diferentes fatores de risco e o uso correto dos tratamentos prescritos podem contribuir para a proteção cardiovascular.
5. Formigamento nos pés significa neuropatia diabética?
O formigamento pode ser um sinal de neuropatia diabética, mas não confirma o diagnóstico. Dormência, queimação, choques, dor e redução da sensibilidade também podem ocorrer quando os nervos são afetados.
Existem, porém, outras possíveis causas, como compressão de nervos, problemas na coluna, deficiência de vitaminas, alterações da tireoide, consumo excessivo de álcool e alguns medicamentos. O sintoma persistente precisa ser avaliado por um profissional.
6. Quais exames ajudam a acompanhar possíveis complicações?
O acompanhamento pode incluir glicemia, hemoglobina glicada, pressão arterial, colesterol, creatinina, estimativa da filtração renal, pesquisa de albumina na urina, exame oftalmológico e avaliação dos pés.
A necessidade e a frequência de cada exame dependem do tipo de diabetes, do tempo desde o diagnóstico, dos medicamentos, da idade, da gestação, dos resultados anteriores e de outras condições clínicas. A equipe de saúde deve definir o acompanhamento individual.
7. É possível prevenir todas as complicações do diabetes?
Não existe garantia de prevenção total. Fatores genéticos, tempo de doença, envelhecimento e outras condições podem influenciar o aparecimento de complicações mesmo quando a pessoa mantém acompanhamento adequado.
Ainda assim, cuidar da glicose, da pressão arterial e do colesterol, não fumar, utilizar corretamente os medicamentos, realizar exames preventivos e procurar ajuda diante de sinais suspeitos pode reduzir significativamente o risco e a gravidade de muitos problemas.
Aviso profissional
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Sintomas e possíveis complicações associadas ao diabetes precisam ser investigados individualmente. Procure atendimento imediato diante dos sinais de emergência mencionados no artigo.


